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quarta-feira, 17 de agosto de 2011
Um pouco de Maio de 1968
Pensando um pouco o maio francês, já que este fenômeno e sua análise é um pouco mais complexa que isso, e demanda abordagens mais profundas e melhor fundamentadas...
(trecho de discussão no facebook)
A prática política mesma de 1968 levou ao descompasso, na medida em que, havendo avanços sociais e diversos ganhos a grupos minoritários, simultaneamente, universalizou o consumidor como objeto final de sujeito para si mesmo, tendendo inclusive à própria abolição do cidadão pré-68...o aperfeiçoamento do capitalismo dito integrado, como coloca Guy Debord em seu Sociedade do Espetáculo, leva a uma forma de dominação ainda mais forte em que o direito à própria lógica do capital também se "democratiza" à grupos antes excluídos socialmente.
Apesar de hoje me parecer que estamos colhendo os frutos da "negatividade" perante os elementos positivos que são colocados com a força da geração de 68, ainda que com práticas políticas confusas, parece surgir no horizonte novas formas de atuação política mais horizontalizadas, diferente das estruturas arcaicas dos partidos.
O que se vê é que muito desta geração pode desfrutar de uma maior "liberdade formal" dita kantiana, no limite mesmo, liberal, e que em termos de choque direto contra a força do poder dominante passou a ter muito menos a dizer do que à época original das contestações, sendo integrada à ele.
É por isto que hoje um autor como Debord ou até mesmo Baudrillard (apesar deste último ser um pós-estruturalista anti-dialético), vão reconhecer na concentração da imagem, um novo tipo de reificação das relações sociais, em que estas não passam mais a serem mediadas apenas por mercadorias, mas transmutadas para a idéia mesma de imagem.
"4. O espetáculo não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre pessoas, mediada por imagens."
A mera forma identitária da idéia de revolução, já seria então por si mesma, algo ilusória, pois não se trataria mais de pensar estratégias e formas universais de luta contra o capital, mas tão somente uma relação de identidade com o objeto revolução, e isto por si só bastaria, como se esta fosse alheia a um pensar a revolução a partir do próprio espírito do sujeito universal que traz consigo mesmo a necessidade de uma ampliação de si mesmo, e não de algo exterior a este espírito universal, como algo externo ainda que em sua apreciação pareça palpável, torna-se uma relação entre dois objetos, reificados, e não uma relação entre o sujeito individual e o universal.
Não que eu ache bastante válido e considerável o espontaneísmo que pode se insurgir em momentos político-sociais mais conturbados, mas imaginar que ele por si só, vai transformar as relações políticas todas ou fazer a revolução, me parece algo bastante ingênuo... vemos mesmo o que acontece na Inglaterra ou na Espanha... indignação, contestação, luta contra à própria autoridade institucional...estão todas ali mais ou menos explícitas, mas ninguém parece saber muito bem o que se fazer somente com essa disposição para enfrentar o poder instituído... por isso acredito que o rigor teórico é de fato necessário, senão o momento da efetividade do processo de transformação política, me parece ficar também comprometido... e é NESTES TERMOS que eu acho que Adorno estava certo, ao ir contra aos estudantes em 68, na medida em que em vez de termos este pequeno salto "quantitativo" na nossa história de lá para cá, quem sabe o processo de radicalização política fosse ainda maior, e já tivessemos uma derrubada das próprias formas institucionalizadas de poder, e nem estariamos debatendo mais nada deste tipo, mas já na construção de um mundo liberto das amarras do capital e de todas as demais formas de opressão, seja ao homem, mulher, heterossexual, homossexual, negros, índios, etc...
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