quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Da Mesquinhez, egolatria e o academicismo na Filosofia

Transcrição de conversa do grupo Filosofia Ufscar
(e sim, eu preciso parar de transcrever tão somente, e parar, sentar e escrever, mas desculpem-me minha falta de tempo para isso)

E as pessoas ainda me questionam o ponto de vista que externo: Quanto maior o título ou engajamento para obte-lo maior a ignorancia, egoismo, infantilidade, mesquinhez, etc! O que dizer do que acabamos de presenciar?! Uns se acham Filósofos e querem seu reconhecimento por isso, mas como disse, se 'acham', nao sáo e nem perto de ser estao. Os que mais proximo disso estao, envergonham a classe e fazem por merecer a posicao em que se encontram: quase lá! Já os que são, quando aprenderam a ser, desencarnaram (aspas) perceberam que o maximo que fizeram foi trazer arrogancia, prepotencia e vas filosofias pifias ao coracao e mente incapaz de refletir com total compreensao o que se de fato queria ter ensinado...



Cara, não poderia concordar mais contigo.

Nenhum pretenso filósofo deveria dizer sê-lo. Penso que a sistemática acadêmica cria uma lógica de se alimentar o ego que acho lamentável e que é difícil de se esquivar, infelizmente.

Como se ser especialista em autores X ou Y ou o que seja, significasse verdadeiramente sabedoria, e um bem para todos. Algo que não gire em torno do próprio umbigo ou de um colegiado privilegiado, e pior, que legitima a si mesmo com seus privilégios, através não só dos seus títulos, mas na sua auto-afirmação de ser X, Y ou Z.

Agora, ninguém é ingênuo aqui, talvez só o @Guilherme Albani(ahahaha desculpe cara, mas tive de fazer a piada infame rs), mas vamos colocar as cartas na mesa de verdade. São também questões políticas obviamente.

Acontece que na filosofia sempre se coloca nesse distanciamento (até por ser mesmo um debate de autores, afinal de contas)...mas acho um tanto quanto engraçado... você não é um conservador, um liberal, um progressista, um socialista ou um anarquista... você é um nietzschiano, ou um kantiano, ou um aristotélico, e por aí vai...

Mas para além disso, você vê como no fundo, muitos só querem estar ali para fazer sua boquinha, sua pesquisa, em seu autor predileto, quem sabe tentar uma carreira acadêmica (não que seja inválida necessariamente, óbvio), mas se discordar do sujeito ou pior, do autor preferido desse, é como se fosse uma ofensa pessoal, em vez de tomar como um debate intelectual em que o conhecimento é construído socialmente e o erro, o equívoco, fazem parte, é claro.

Tem gente que para minha surpresa, parece não ser capaz de dizer "não sei". E para mim isso é o mínimo que eu esperaria de qualquer um que gostaria de fazer filosofia verdadeiramente, e sabemos o quanto isso está lá, na base da própria história da filosofia.

Por isso mesmo que o melhor professor de filosofia que tive, que infelizmente não foi na ufscar, era bem claro: "pode discordar até de forma diametralmente oposta de mim, basta argumentos, e não precisa citar autores para isso".

O mais "impressionante" é que nunca vi ele, em sua posição não-arrogante, perder a linha, mesmo com as mais agressivas ou ególatras das confrontações com alunos (o que devo dizer, me parece realmente algo desnecessário).

Mas ele, dentre tantos pretensos doutores, nunca reivindicou tal título e tal posição como filósofo. Por isso mesmo, para mim esse sim era.

Ou devo dizer, era mais do que mero doutor ou filósofo. Mas parece que infelizmente, realmente é demais pedir isso da maioria.



Obs: Aos que quiserem participar do debate, podem comentar aqui que acho que seria legal, mas pretendo criar um fórum de discussão no facebook para isso.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Tragédia da Alma Romântica

Minha combinação trágica: canceriano com ascendente em escorpião (elemento água + água, excessivamente sensível, pro bem e pro mal), família conservadora e hierárquica, pai autoritário, bullying forte na infância, alta restrição economico-meritocrática pela família, demissão do emprego na multinacional, uma certa dose de romantismo incurável e por fim não aceitação de submissão do meu ser e da minha liberdade às instituições.


Já é dia e ainda não dormi, por isso vai ficar curto mesmo.

Mas aqui, não é local para restringir-me e censurar-me. Ao menos fazer isso o menos possível.

Então digo claramente: hoje, como me é constante e mais comum, a pulsão de morte predomina, e então digo que seria até bom estar morto amanhã pela manhã.

No máximo, sou indiferente a mim mesmo e minha existência. Ela pouco me importa, já que meu ser foi estilhaçado desde cedo e até hoje reuno as partes, apesar de já ter consertado considerável parte.


E digo como sempre: defendo a liberdade, não a vida.

E se é covardia não defender a vida, nessa oposição binária que me autorizo aqui a fazer, que me julguem covarde, mas nunca um hipócrita.


Acredito que, a vida me impôs desde cedo, esta necessidade do esforço por racionalizar tudo, diante de tanta corrupção e injustiça, até mesmo dentro do âmbito familiar, já que nunca fui compreendido, protegido nos momentos errados e criticado quando não deveria. Faltou negatividade no pensamento. Mas pensar em termos de dialética na criação de uma criança, soa absurdo para quem não estuda filosofia.


Mas, o que poderia fazer? Mais uma vez é a ignorância em ação, já que esta, se constitui não abstratamente nos indivíduos isolados, mas é construída socialmente. Se tenho capacidade cognitiva para dizer o que digo, não é a toa, e infelizmente não é a toa que meus pais não a tiveram.


[...] 


A dor que carrego em minha alma e que é rememorada por aqueles que menos deveriam, me é mais visceral que a dor de um desconhecido que nada sabe de mim e que não me julga, ou que sei bem que julga precipitadamente.


A ignorância está por todos os lugares e não vou poupar ninguém pois só eu sei o que me retoma feridas profundas.

A falta de tato, de sensibilidade, da forma de lidar com as coisas, leva a erros irreparáveis.


[...]


Sei bem que, esta situação, durará no máximo por mais alguns dias. Mas me é tão desconfortável, angustiante, pontiaguda, que preferia não estar vivo amanhã de manhã.


Também penso nessas horas, na morte do outro, como se fosse isto que adiantaria qualquer coisa.

Veja só, minha lógica é mesmo a da bomba atômica. Desde a mais tenra infância: tudo ou nada. Vida ou morte. Elevação do espírito ou aniquilamento. A glória máxima ou a derrota total. A vida medíocre nunca foi aceitável ou tolerável para mim, por isso também digo, nunca defendi sobrevivências. 


[...]


É claro, quem não tem o que comer, não pode optar pela morte. Simplesmente morre.


Eu posso optar pela morte. Todos aqui podemos. 


[...]


Nunca passei fome. Mas há algo de perverso à alma daqueles que passam por tal estado de degradação humana: são quase sempre, condenados a acreditar em deuses, e impelidos pelo medo, não podem morrer por vontade própria.


Minha perturbação, que é da alma, é daquele que tem discernimento suficiente para  não se ludibriar pelas próprias criações humanas.

Minha fraqueza, ou força em não tê-lo feito, deve residir no próprio âmago da idéia de romântico: há um fundamento, não só subjetivo, mas universal, de se lutar pela vida, ainda que tudo pareça escapismo, reside ali, uma última mas concentrada força de querer viver.


[...]
 

O que me vêm a mente em minha subjetividade, é que talvez por isso, Virginia Woolf se suicidou, com poucos ou quase ninguém a entender suas dores.


E não me importa que me digam que não foi isto.

Em minha subjetividade, me basta. Não desaprovo o suicídio, como bom romântico. Só como racionalista-romântico. 



"Nada é mais terrível de se ver do que a ignorância em ação." - Johann Wolfgang von Goethe




Obs: Aos que quiserem, comente no próprio blog. Seria legal e importante para mim. Inclusive você Laércio, se estiver lendo isto aqui.