Transcrição de conversa do grupo Filosofia Ufscar
(e sim, eu preciso parar de transcrever tão somente, e parar, sentar e escrever, mas desculpem-me minha falta de tempo para isso)
(e sim, eu preciso parar de transcrever tão somente, e parar, sentar e escrever, mas desculpem-me minha falta de tempo para isso)
E as pessoas ainda me questionam o ponto de vista que externo: Quanto maior o título ou engajamento para obte-lo maior a ignorancia, egoismo, infantilidade, mesquinhez, etc! O que dizer do que acabamos de presenciar?! Uns se acham Filósofos e querem seu reconhecimento por isso, mas como disse, se 'acham', nao sáo e nem perto de ser estao. Os que mais proximo disso estao, envergonham a classe e fazem por merecer a posicao em que se encontram: quase lá! Já os que são, quando aprenderam a ser, desencarnaram (aspas) perceberam que o maximo que fizeram foi trazer arrogancia, prepotencia e vas filosofias pifias ao coracao e mente incapaz de refletir com total compreensao o que se de fato queria ter ensinado...
Cara, não poderia concordar mais contigo.
Nenhum pretenso filósofo deveria dizer sê-lo. Penso que a sistemática acadêmica cria uma lógica de se alimentar o ego que acho lamentável e que é difícil de se esquivar, infelizmente.
Como se ser especialista em autores X ou Y ou o que seja, significasse verdadeiramente sabedoria, e um bem para todos. Algo que não gire em torno do próprio umbigo ou de um colegiado privilegiado, e pior, que legitima a si mesmo com seus privilégios, através não só dos seus títulos, mas na sua auto-afirmação de ser X, Y ou Z.
Agora, ninguém é ingênuo aqui, talvez só o @Guilherme Albani(ahahaha desculpe cara, mas tive de fazer a piada infame rs), mas vamos colocar as cartas na mesa de verdade. São também questões políticas obviamente.
Acontece que na filosofia sempre se coloca nesse distanciamento (até por ser mesmo um debate de autores, afinal de contas)...mas acho um tanto quanto engraçado... você não é um conservador, um liberal, um progressista, um socialista ou um anarquista... você é um nietzschiano, ou um kantiano, ou um aristotélico, e por aí vai...
Mas para além disso, você vê como no fundo, muitos só querem estar ali para fazer sua boquinha, sua pesquisa, em seu autor predileto, quem sabe tentar uma carreira acadêmica (não que seja inválida necessariamente, óbvio), mas se discordar do sujeito ou pior, do autor preferido desse, é como se fosse uma ofensa pessoal, em vez de tomar como um debate intelectual em que o conhecimento é construído socialmente e o erro, o equívoco, fazem parte, é claro.
Tem gente que para minha surpresa, parece não ser capaz de dizer "não sei". E para mim isso é o mínimo que eu esperaria de qualquer um que gostaria de fazer filosofia verdadeiramente, e sabemos o quanto isso está lá, na base da própria história da filosofia.
Por isso mesmo que o melhor professor de filosofia que tive, que infelizmente não foi na ufscar, era bem claro: "pode discordar até de forma diametralmente oposta de mim, basta argumentos, e não precisa citar autores para isso".
O mais "impressionante" é que nunca vi ele, em sua posição não-arrogante, perder a linha, mesmo com as mais agressivas ou ególatras das confrontações com alunos (o que devo dizer, me parece realmente algo desnecessário).
Mas ele, dentre tantos pretensos doutores, nunca reivindicou tal título e tal posição como filósofo. Por isso mesmo, para mim esse sim era.
Ou devo dizer, era mais do que mero doutor ou filósofo. Mas parece que infelizmente, realmente é demais pedir isso da maioria.
Obs: Aos que quiserem participar do debate, podem comentar aqui que acho que seria legal, mas pretendo criar um fórum de discussão no facebook para isso.
Nenhum pretenso filósofo deveria dizer sê-lo. Penso que a sistemática acadêmica cria uma lógica de se alimentar o ego que acho lamentável e que é difícil de se esquivar, infelizmente.
Como se ser especialista em autores X ou Y ou o que seja, significasse verdadeiramente sabedoria, e um bem para todos. Algo que não gire em torno do próprio umbigo ou de um colegiado privilegiado, e pior, que legitima a si mesmo com seus privilégios, através não só dos seus títulos, mas na sua auto-afirmação de ser X, Y ou Z.
Agora, ninguém é ingênuo aqui, talvez só o @Guilherme Albani(ahahaha desculpe cara, mas tive de fazer a piada infame rs), mas vamos colocar as cartas na mesa de verdade. São também questões políticas obviamente.
Acontece que na filosofia sempre se coloca nesse distanciamento (até por ser mesmo um debate de autores, afinal de contas)...mas acho um tanto quanto engraçado... você não é um conservador, um liberal, um progressista, um socialista ou um anarquista... você é um nietzschiano, ou um kantiano, ou um aristotélico, e por aí vai...
Mas para além disso, você vê como no fundo, muitos só querem estar ali para fazer sua boquinha, sua pesquisa, em seu autor predileto, quem sabe tentar uma carreira acadêmica (não que seja inválida necessariamente, óbvio), mas se discordar do sujeito ou pior, do autor preferido desse, é como se fosse uma ofensa pessoal, em vez de tomar como um debate intelectual em que o conhecimento é construído socialmente e o erro, o equívoco, fazem parte, é claro.
Tem gente que para minha surpresa, parece não ser capaz de dizer "não sei". E para mim isso é o mínimo que eu esperaria de qualquer um que gostaria de fazer filosofia verdadeiramente, e sabemos o quanto isso está lá, na base da própria história da filosofia.
Por isso mesmo que o melhor professor de filosofia que tive, que infelizmente não foi na ufscar, era bem claro: "pode discordar até de forma diametralmente oposta de mim, basta argumentos, e não precisa citar autores para isso".
O mais "impressionante" é que nunca vi ele, em sua posição não-arrogante, perder a linha, mesmo com as mais agressivas ou ególatras das confrontações com alunos (o que devo dizer, me parece realmente algo desnecessário).
Mas ele, dentre tantos pretensos doutores, nunca reivindicou tal título e tal posição como filósofo. Por isso mesmo, para mim esse sim era.
Ou devo dizer, era mais do que mero doutor ou filósofo. Mas parece que infelizmente, realmente é demais pedir isso da maioria.
Obs: Aos que quiserem participar do debate, podem comentar aqui que acho que seria legal, mas pretendo criar um fórum de discussão no facebook para isso.
Problemas como este podem ser vistos nas mais diferentes partes do globo. Segue um texto muito bom sobre uma problemática parecida:
ResponderExcluir"[É preciso] deter-se um pouco sobre o confronto CÁRATER X CARREIRA. Não é um problema novo, mas qualitativa e radicalmente agravado nos últimos tempos. Isso no interior, é claro do desmantelamento da indivualidade contemporânea, da impossibilidade de uma efetiva ou integral vida autêntica. Cárater x Carreira implica Cárater x Sucesso. A sociedade atual só incentiva, respalda e reconhece a individualidade bem-sucedida, não importando o que ela faça nem como o faça, não importando o teor de sua atividade, nem os meios quem emprega. Campo nenhum da atividade humana escapa na atualidade dessa destituição da dignidade, mas é principalmente nos meios acadêmicos [e editorial] quando e político-partidário que o flegelo se abate com a maior ferocidade e o mais agudo poder destrutivo, particularmente quando se toma em consideração as necessidade intrínsecas à esquerda. A necessidade do trabalho coletivo, em ambos os casos, confronta com as ambições postas em marcha desde o plano da simples sobrevivência até as mais refinadas disputas pelos galardões acadêmicos [e editoriais], no mais das vezes nada além do que os corriqueiros degraus da simples carreira profissional, que nada mais acrescentam do que uns minguados 'caramingolés' ao magérrimo salário.
As individualidades cedem diante do desafio das dificuldade do trabalho intelectual, dão as costas a elas em lugar de reunir as forças necessárias para a dedicação necessária, 'solucionam' seu problema pessoal, não, é claro, o problema intelectual, pela adesão ao nível inferior do padrão profissional dominante. Sob a justificação dos imperativos da sobrevivência profissional e a, espúria, das urgências políticas. Daí para frente nada mais de sério pode ser esperado" (CHASIN, José. Rota e prospectiva de um projeto marxista. 2000. p. 32 e 33)